Na última sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets por Medida Provisória. Também foi anunciado que o Ministério da Saúde aumentará o contato com apostadores para oferecer acompanhamento e tratamento. Ana* descobriu que o filho de 23 anos estava apostando em bets quando ele já estava com muitas dívidas. “Ele não teve coragem de pedir ajuda no começo, depois, ou ele pedia ajuda, ou o pior ia acontecer. Ele já estava há dias escondido, porque pessoas queriam ser pagas, queriam receber. Eu tive que vender minha casa, meu carro, férias, pedir o adiantamento do décimo terceiro para tentar amenizar pelo menos os pagamentos atrasados de quem estava efetuando mais ameaças contra a vida dele. Adquiri dívidas porque precisei pegar dinheiro com o banco também”, relatou.A psicóloga e pesquisadora do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico do Instituto de Psiquiatria da USP, Bruna Mayara Lopes, afirma que a proibição não é o suficiente e que essas pessoas podem passar por abstinência.“Uma sugestão é fazer o autoteste que tem no meu SUS digital. Lá, dá para responder a quatro perguntas e essas perguntas vão dar uma direção em relação ao que ela pode procurar. Ou ela pode buscar por um CAPS (Centro de Atenção Psicosocial), próximo à região dela, que vai ter uma lista de sugestões para ela passar por teleatendimento. Ela faz um cadastro e assim ela pode ter o atendimento na residência dela”.Edilson Braga psicólogo clínico e pesquisador do Instituto de Psiquiatria da USP explica que, a dependência em jogos, anteriormente, era classificada como um transtorno do impulso, mas passou a ser classificada com uma dependência. “É semelhante a outras dependências que tem substâncias no que se refere à abstinência, no que se refere à fissura, o sistema dopaminérgico, o sistema límbico […] uma pessoa experimentando abstinência [de jogo], ela vai ter aqueles mesmos sintomas, desde sudorese, irritabilidade, tremedeira, tem pessoas que passam mal, até vomitam”, disse.