Notícia SINASEFE IFSul

8 de julho 2026

Sindicatos prometem manter mobilização no recesso para garantir votação da PEC da Data Base

Sindicatos prometem manter mobilização no recesso para garantir votação da PEC da Data Base Entidades representativas do funcionalismo se frustraram novamente nesta terça-feira (7) com o novo adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição 304/2026, a chamada PEC da Data Base. Setores do funcionalismo já haviam feito um protesto na semana passada, em frente ao Palácio Piratini e à Assembleia Legislativa, para reivindicar a votação do projeto de autoria do deputado estadual Thiago Duarte (PDT).Na sessão da semana passada, o presidente da CCJ, Guilherme Pasin, apresentou parecer contrário à PEC, relatando ser inconstitucional. E, para evitar que a medida fosse retirada de pauta, a deputada Luciana Genro (PSOL) pediu vista.Nesta terça-feira o número mínimo de deputados para formalizar a abertura do dia não foi alcançado novamente. No entanto, os representantes dos servidores se surpreenderam com uma das ausências: o relator, deputado estadual Cláudio Tatsch (PL). Ele havia apresentado parecer favorável à PEC, e a expectativa era de que ele estivesse no encontro dessa terça. Depois que o parecer de Tatsh foi apresentado, a matéria poderia entrar em tramitação na comissão.Com o novo adiamento, a análise da proposta deve ficar para a volta do recesso, em agosto. O funcionalismo, entretanto, promete intensificar a mobilização no corpo a corpo com os parlamentares, exigindo que a matéria seja votada em sessão extraordinária da CCJ. Para isso, será necessário acordo entre os integrantes. Uma das dificuldades estaria relacionada com o ano eleitoral, uma vez que diversos postulantes ao Palácio Piratini temem que a proposta possa engessar o orçamento da gestão estadual.Apesar do registro da ausência na comissão, Tatsh estava na Assembleia Legislativa nessa terça-feira (7) e recebeu servidores do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (SindjusRS) em seu gabinete. Como outras categorias, eles acompanharam a sessão da CCJ e, mesmo com o fim da sessão, permaneceram no Parlamento para visitar gabinetes e pressionar deputados, em estratégia de mobilização característica de quem deseja obter apoio para uma proposta.Em reunião com os representantes do Sindjus, que foi compartilhada pela entidade nas redes, o deputado admitiu a dificuldade de aprovar a matéria na CCJ. E alertou que um ponto que poderá ir a negociação é a utilização do índice oficial de inflação como referência para atualização dos vencimentos.A PEC da Data Base fixa que o Executivo estadual fica obrigado a indicar uma proposta de recomposição salarial ao funcionalismo a cada ano, sempre no dia 1º de março. O objetivo é evitar períodos sem reajuste, como o que ocorreu dos anos 2015 a 2022 no estado.Em 2022, o reajuste anual foi de 6%. Se for aprovada, a PEC estipula a revisão geral anual da remuneração para servidores civis e militares, ativos, aposentados e pensionistas. “A gente calcula nossas perdas em 35%. Nem temos expectativa da recuperação desse montante, mas queremos um instrumento para negociar com o governo e poder ter um reajuste nem que seja mínimo. Porque nesses últimos oito anos a gente não teve oportunidade nem de sentar para conversar”, salienta o vice-presidente do Ugeirm, Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do Rio Grande do Sul, Fábio Castro.Diante do novo adiamento, diversos sindicalistas criticaram a ausência de Tatsch, demonstrando receio de que ele esteja sendo pressionado por partidos contrários à proposta. “Achamos muito estranho que o deputado relator não tenha comparecido. Esperamos que isso não seja uma precaução do candidato do partido dele, o PL, caso venha a vencer a eleição. Então vamos seguir pressionando para que agora ocorra uma nova reunião extraordinária”, salientou a diretora do Cpers, sindicato das professoras e funcionárias de escola do RS, Neiva Lazarotto, referindo-se ao pré-candidato ao Palácio Piratini pelo PL, o deputado federal Luciano Zucco.Conforme o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Nível Superior do Estado do Rio Grande do Sul (Sintergs), Nelcir André Varnier, as perdas inflacionárias somam quase 50% de perda do poder de compra dos servidores desde 2014. “Só algumas categorias têm tido ajustes. Então a PEC pode ser um marco histórico do Estado, pode evitar muitos privilégios e abismos entre salários. Qualquer governo pode dar ajustes específicos para aqueles salários que estão mais defasados, mas a revisão geral vai ter que ser para todos”, analisa Varnier.
Fonte: Sul 21 / Imagem: Lucas Kloss / ALRS