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22 de junho 2026

Quando a chuva vira memória: Mirian Fichtner lança livro e filme sobre a enchente no RS

Quando a chuva vira memória: Mirian Fichtner lança livro e filme sobre a enchente no RS Nesta quinta-feira (25), às 19h, a jornalista e fotógrafa Mirian Fichtner lança o livro “Quando começa a chover o coração bate mais forte”, na Cinemateca Paulo Amorim, em Porto Alegre. Na ocasião, também será exibido o documentário de curta-metragem homônimo, dirigido pela autora e premiado em festivais nacionais e internacionais. As duas obras abordam, sob diferentes linguagens, os impactos da enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024.Gaúcha radicada no Rio de Janeiro, Mirian estava em Porto Alegre visitando familiares quando foi surpreendida pela enchente. Jornalista e fotógrafa com trajetória dedicada à documentação de questões sociais e culturais, ela decidiu registrar a tragédia enquanto enfrentava, simultaneamente, o luto pela recente morte da mãe.“Chovia ininterruptamente há mais de uma semana. Nas periferias e na região metropolitana, os pássaros pararam de cantar. Os cães não latiam. Nada mais parecia ter vida nestes lugares, a não ser a água. O silêncio sinistro e perturbador só era rompido pelo som da urgência dos helicópteros e das ambulâncias. Profissão repórter: me senti convocada. À revelia do luto pela morte recente de minha mãe, fotografar tornou-se imperativo”, relata a jornalista.Durante dez dias sem água e energia elétrica, Mirian acompanhou de perto o avanço das águas e seus impactos sobre comunidades da Capital e da região metropolitana. Mais do que um registro documental, o trabalho busca evidenciar as histórias e experiências de quem viveu a tragédia, especialmente moradores das periferias, população negra, mulheres, idosos e crianças. Segundo a fotógrafa, a intenção foi traduzir, por meio das imagens, aspectos da experiência humana que os números e estatísticas não conseguem revelar.“Tentei traduzir com imagens o que os números das estatísticas não mostram. A emoção superava as palavras e as imagens falavam por si. A minha sensação era a de estar num filme de terror, documentando o fim do mundo. Evitei fotografar as pessoas e mostrar seus rostos dilacerados pela dor. Entendi, olhando em seus olhos, que uma fotografia dessas iria simbolicamente prendê-los eternamente àquele momento. Não os fotografar naquela situação era o único manifesto de esperança que eu poderia oferecer. Sim, há imagens que não devem ser feitas. Foi algo que aprendi naqueles dias, diante da dor dos outros”, relembra a autora.Além de 107 fotografias produzidas e reflexões da própria autora, há o texto curatorial de Eder Chiodetto e textos dos climatologistas Carlos Nobre e José A. Marengo, compondo um relato visual sobre um dos maiores desastres socioambientais da história do país. Segundo os pesquisadores, episódios como o de 2024 tendem a se tornar mais frequentes e intensos caso não haja mudanças estruturais na relação da sociedade com o meio ambiente. Assim, a obra lança luz sobre os impactos humanos da tragédia, revelando marcas emocionais, afetivas e sociais deixadas nas comunidades atingidas.Serviço
Lançamento do livro e exibição do documentário “Quando começa a chover o coração bate mais forte”
  • Data: 25 de junho.
  • Horário: 19h.
  • Local: Cinemateca Paulo Amorim – Porto Alegre.
  • Entrada: gratuita.

Fonte: Sul 21 / Imagem: Sul 21 

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