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19 de junho 2026

Por unanimidade, STF anula absolvição de acusado de estupro de Mariana Ferrer

Por unanimidade, STF anula absolvição de acusado de estupro de Mariana Ferrer Em decisão unânime do colegiado, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela anulação da absolvição do acusado de estupro de Mariana Ferrer, o empresário André de Camargo Aranha. A Corte decidiu, por oito votos a zero, que são inadmissíveis e nulas as provas produzidas em ambiente de desrespeito à dignidade, honra e integridade psicológica da vítima em crimes sexuais. O caso tem repercussão geral, e, portanto, impacta todos os casos análogos que estejam ou venham a tramitar em primeira e segunda instância no país.No julgamento desta quinta-feira (18), o Supremo anulou por a audiência de instrução e todos os atos processuais que a seguiram, o que tornam sem efeito tanto a sentença em primeira instância quanto o acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que tinham absolvido o réu do crime de estupro de vulnerável.Agora, o caso será iniciado novamente na primeira instância do estado.
Supremo anulou depoimento por violação de preceitos fundamentaisO voto do relator Alexandre de Moraes apontou que o depoimento da vítima foi completamente cerceado, o que é especialmente grave dado o reconhecimento da jurisprudência de que a palavra da vítima tem peso maior em casos de crimes sexuais.No julgamento, o tribunal entendeu que Ferrer passou por humilhações, ofensas, sarcasmo e ironias e insinuações sexuais “do mais baixo nível” por parte do advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, durante a audiência em que depôs.Moraes chegou a falar que “o Promotor estava de férias”, se referindo à passividade de juiz, do Ministério Público e da Defensoria Pública durante as constantes interrupções e agressões verbais a Mariana proferidas pelo advogado de defesa.O colegiado entendeu que essa ausência de intervenção dos entes públicos na produção do depoimento “violaria o princípio constitucional da dignidade humana”. O entendimento é de que a submissão da vítima a essas condições consistiu em violação a preceitos constitucionais e direitos fundamentais.
Decisão do STF torna nulo processoCom essa conclusão, a sentença absolutória de primeira instância e a posterior decisão do tribunal que usaram o depoimento para determinar que não havia provas suficientes para condenar André de Camargo Aranha por estupro de vulnerável foram consideradas contaminadas pela nulidade do depoimento. Isso levou à anulação de todo o processo.Por determinação do Supremo, o depoimento deverá ser colhido novamente. O caso vai ser assumido por novo juiz e novo integrante do Ministério Público.
Caso gerou indignação e levou a criação de leiO julgamento também ocorre em um contexto de maior atenção institucional à chamada “revitimização” de mulheres no sistema de Justiça. O caso em análise dialoga diretamente com episódios que ganharam repercussão nacional, como o da influenciadora Mariana Ferrer, cuja audiência foi marcada por ataques à vítima e gerou indignação pública.A repercussão desse e de outros casos levou à aprovação de leis para coibir abusos durante audiências, como a chamada Lei Mariana Ferrer, que estabelece limites à atuação de advogados e determina que o juiz deve zelar pela integridade da vítima durante o processo.Além disso, o STF já firmou entendimento recente contra práticas discriminatórias em julgamentos de violência de gênero, como a proibição de questionamentos sobre a vida sexual da vítima e o afastamento da tese da “legítima defesa da honra”.A Corte tem reforçado em decisões recentes que a proteção à dignidade da vítima não constitui mera garantia processual acessória, mas elemento essencial para a efetividade do acesso à Justiça. O julgamento atual, portanto, insere-se em um movimento mais amplo de consolidação de parâmetros para assegurar que a atuação de magistrados, promotores e advogados seja compatível com os direitos fundamentais das vítimas e com os compromissos assumidos pelo Brasil no combate à violência contra as mulheres.
Fonte: TVT News / Imagem: Agência Brasil