Notícia SINASEFE IFSul

6 de novembro 2026

Políticas educacionais e combate às opressões marcam o segundo dia do 38º Consinasefe

Políticas educacionais e combate às opressões marcam o segundo dia do 38º Consinasefe O futuro da Rede Federal e a luta contra as opressões foram os temas das duas mesas do segundo dia do 38º Congresso do SINASEFE (Consinasefe), nesta quarta-feira (4), em Brasília. Pela manhã, os delegados debateram “Políticas educacionais e futuro da Rede”. À tarde, o tema debatido foi “Combate às opressões”.
Políticas educacionais e o futuro da RedeA mesa da manhã reuniu como palestrantes: o professor Bruno Miranda Neves (UERJ), João Paulo “JP” Ribeiro (CTB), a professora Rafaella Florencio (IFCE) e a professora Stéphane Rodrigues Dias (IFFar).Abrindo a mesa, Bruno Neves defendeu que o movimento sindical aproveite o momento para rever suas práticas. “A gente precisa superar, em nossos debates, as teorias e questões burocráticas que, embora sustentem as nossas formações, não podem nos limitar. Precisamos aproveitar este contexto, entender o que foi efetivo e tentar incorporar em nossas práticas de luta”, afirmou.A precarização da Rede foi o tema central  da fala de Stéphane Rodrigues Dias. Ela reforçou a importância da expansão dos institutos federais, mas lembrou que a realidade de muitos campi ainda está distante da estrutura considerada adequada para uma instituição federal.João Paulo Ribeiro chamou atenção para as contradições internas da categoria. “A gente convive com muitos bolsonaristas dentro da Rede, precisamos entender como superar essas contradições”, disse. Para ele, é preciso estar nas ruas, defendendo o governo e fortalecendo a base, e também retomar a construção de projetos no Congresso Nacional. Precisamos fazer uso dos deputados e senadores que temos do nosso lado, pois assim nós podemos ajudar a sociedade.” Rafaella Florencio criticou a falta de protagonismo do sindicato nas lutas da educação no país. Segundo ela, o Sinasefe não pode se limitar a reagir aos ataques com notas. “Nós paramos de debater políticas educacionais. Qual o nosso acúmulo sobre educação a distância? Qual o nosso acúmulo sobre educação em tempo integral?”, questionou. Ela também apontou o peso crescente das emendas parlamentares no financiamento da educação: segundo ela, os recursos para investimento provenientes de emendas ultrapassaram os recursos provenientes da LOA.No âmbito local, o Sinasefe-IFSul manteve o debate sobre políticas educacionais como tema central de atuação do sindicato nos últimos anos. Não apenas discutindo no âmbito do IFSul, como com uma forte atuação nacional de suas lideranças e a organização de diversos eventos que debateram a expansão e consolidação da rede, o ensino médio integrado e a educação de jovens e adultos (EJA). Nas intervenções do plenário, a coordenadora do Sinasefe-IFSul, Patrícia Calixto, destacou a importância de o sindicato se aproximar da comunidade, inclusive dos estudantes, que vêm sendo capturados pela extrema direita. Docente do campus CAVG, Patrícia denunciou que, nas eleições, mais uma vez, nós sofremos ataques, inclusive invasões em dois campi, por parte de candidatos da extrema-direita. “O mais grave é que nós temos, dentro das nossas instituições, servidores que compactuam com isso e fortalecem esse tipo de movimento”, alertou.
Combate às opressõesA mesa da tarde contou com seis palestrantes: Cleonice Pankararu (liderança do povo Pankararu), a professora Jacqueline Botelho (UFF), o professor aposentado Marcelo Teixeira (CMR), Milena Silva (TAE do IFPB), Sara Wagner York (pós-doutoranda Unesp/Fapesp) e Teresa Bahia (TAE do IFBA).Cleonice Pankararu iniciou a mesa alertando sobre a destruição dos territórios indígenas. “A gente não quer nada de ninguém, apenas o que é nosso: que parem de destruir o nosso território, as nossas riquezas naturais. A nossa terra é o nosso lar, é o nosso mundo”, afirmou. Ela deu um exemplo da própria família: “Hoje, a minha neta não pode mais nadar no rio, ela não sabe pescar, pois o nosso rio não está mais próprio para que ela frequente”.A pesquisadora e escritora Sara York destacou em sua fala o isolamento ao qual as opressões costumam nos conduzir e que lutar contra isso é, justamente, a nossa maior forma de resistência. “Caminhar só e produzir muito não é prova de força: é exatamente o formato que o sistema prefere.” ela alertou. Como forma de superar as opressões, Sara defende que devemos recompor o pacto social de baixo para cima, e alertou “Ninguém se salva em separado. O pacto se refaz onde o corpo deixa de ser currículo e volta a ser gente".Em um relato comovente, Teresa Bahia falou como a legislação ainda ignora a realidade de famílias como a dela. “A coisa mais linda da minha vida foi a chegada da minha filha. No entanto, o nosso sistema jurídico ainda não prevê a realidade de pessoas como eu”, disse. Ela explicou que não existe dupla licença-maternidade quando duas mulheres adotam uma criança juntas: apenas uma das mães pode usufruir da licença, e por isso consta em sua ficha funcional uma licença-paternidade. Teresa encerrou falando sobre o quanto a classe trabalhadora tem a aprender e a agradecer à deputada Erika Hilton, mulher trans, negra e de origem periférica, que, segundo ela, teve papel fundamental no fim da escala 6x1 no Brasil e nos lembra que mudar o mundo através da nossa é possível.Já Milena Silva defendeu que a luta antifascista precisa incorporar todas as pautas contra opressões. “Não existe combate ao fascismo sem incorporar o combate às opressões, ao etarismo, ao machismo, ao racismo, à LGBTfobia, ao capacitismo e a todas as demais opressões que vivenciamos em nossa sociedade”, afirmou. Ela também apontou as barreiras que as mulheres enfrentam na atuação sindical e política: “os sindicatos ainda são organizados a partir da realidade masculina, com resistência a candidaturas femininas e um sentimento de desqualificação da capacidade das mulheres de ocupar esses espaços”.A professora Jacqueline Botelho falou sobre o histórico de exclusão das pessoas negras e das pessoas com deficiência no processo educativo. Ela lembrou que, por muito tempo, a própria legislação legitimou essa exclusão do ensino e da aprendizagem, limitando e fechando o espaço escolar.Por fim, Marcelo Teixeira defendeu a unidade da classe trabalhadora. “Estamos aqui nessa mesa entendendo o que é a opressão, mas não podemos nos separar, precisamos unificar a nossa classe. Existe uma opressão maior, que precisa ser destruída, que é a do capitalismo”, disse. Para ele, o SINASEFE precisa “voltar a ser um sindicato classista”, atuar junto com os movimentos populares e, para isso, voltar para a base.O 38º Consinasefe segue até sábado (7), no Complexo Brasil 21, em Brasília, com eleições para o Conselho Fiscal, o Conselho de Ética e a 16ª Direção Nacional Colegiada do SINASEFE, biênio 2026-2028.