Piranhas da espécie palometas têm sido pescadas às margens do Guaíba, em Porto Alegre. A presença na Capital do peixe carnívoro, originário da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai, é um fenômeno, de certa forma, esperado. Isso porque, nos últimos anos, as palometas têm conseguido sair do Rio Uruguai e se espalhar por outras bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul.A chegada das palometas em Porto Alegre tem sido possível devido à transposição e às conexões da Bacia do Rio Uruguai com a Bacia do Rio Jacuí, que se conecta com a Bacia do Guaíba. A presença do peixe em Porto Alegre significa uma ruptura nos divisores de água entre as duas bacias hidrográficas. Um dos locais onde a piranha já foi pescada na Capital é o píer do Pontal, nova área de lazer e comércio na Zona Sul da cidade.Especialistas explicam que a presença da espécie de piranha não é motivo de pânico, embora seja sim motivo de preocupação. Ainda não se sabe onde está localizada a origem da conexão (ou das conexões) entre as bacias do Rio Jacuí e do Rio Uruguai. Além da piranha, outras espécies exóticas também migraram para o Guaíba, porém, a palometa desperta maior atenção.“Ela é um predador voraz, agressivo em relação aos outros peixes e isso chama muita atenção. Ataca muito as redes dos pescadores. As outras espécies que entraram antes, os pescadores percebiam, mas como não causava nenhum prejuízo para eles, não deu tanta repercussão”, explica Fernando Becker, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),Por serem muito vorazes, as palometas atacam os peixes que caem nas redes dos pescadores, que se tornam presas fáceis por já estarem presos. Além disso, por ter dentes muito fortes e afiados, a piranha causa prejuízo material ao destruir as redes de pesca e, eventualmente, se ficar presa na rede, pode acabar mordendo os pescadores ao tentar retirá-la. “Tem um prejuízo material e tem um prejuízo no rendimento da pesca mesmo. Isso é bem ruim para os pescadores”, afirma Becker.