Durante coletiva de imprensa no final da reunião de cúpula do G7, o presidente Lula subiu o tom contra a interferência do presidente Trump na política brasileira. “Trump tem direito de ter as preferências eleitorais dele, mas as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse Lula. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que Donald Trump não deveria “interferir nas eleições brasileiras” de outubro, nas quais o líder da esquerda busca a reeleição.Trump é aliado do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, cujo filho, o senador Flávio Bolsonaro, será o principal adversário de Lula nas eleições.O presidente americano “tem direito às suas preferências eleitorais”, mas “as eleições brasileiras são problema do Brasil”, disse Lula em Genebra, após participar como convidado da cúpula do G7 na França.Na mesma cúpula de líderes, Trump afirmou nesta quarta-feira que o Brasil “se tornou um país um pouco duro, um pouco politicamente perigoso”.O republicano declarou apoio a candidatos de direita em outros países latino-americanos, como Argentina, Colômbia e Honduras.Após receber Lula em Washington no mês passado, Trump também se encontrou com Flávio Bolsonaro, a quem descreveu como um “jovem inteligente que ama seu país”.Dias depois, os Estados Unidos designaram os dois maiores cartéis de drogas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.Também ameaçaram aumentar as tarifas sobre produtos brasileiros.Ambas as medidas são veementemente rejeitadas pelo governo Lula, que acusou Trump de se comportar como um “imperador” do mundo.Os dois líderes estão em tensão desde 2015, quando os Estados Unidos impuseram tarifas ao Brasil em retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão por seu papel em uma tentativa de golpe.Os Estados Unidos acabaram por remover algumas dessas tarifas.