Notícia SINASEFE IFSul

17 de julho 2026

Governo prepara apoio a empresas afetadas por tarifaço dos EUA

Governo prepara apoio a empresas afetadas por tarifaço dos EUA O governo federal anunciou que lançará um programa de apoio às empresas brasileiras atingidas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. A iniciativa foi confirmada pela equipe econômica após a oficialização da medida pelo governo de Donald Trump e integra a estratégia do Palácio do Planalto para reduzir os impactos sobre a produção, os empregos e a atividade econômica. Além do pacote de apoio, o governo reafirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, caso considere necessário responder às barreiras comerciais adotadas por Washington. Ao mesmo tempo, autoridades brasileiras reforçam que o diálogo com os Estados Unidos será mantido, na tentativa de reverter ou reduzir os efeitos da decisão.Segundo cálculos do governo, o novo tarifaço alcança aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a quase US$ 7,5 bilhões em vendas. A estimativa orienta as primeiras medidas de proteção aos setores considerados mais vulneráveis às novas tarifas.A primeira reação oficial ocorreu ainda na madrugada, poucas horas após o anúncio feito pelos Estados Unidos. Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto e reproduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, o governo classificou a decisão como “um marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos.O comunicado afirma que o Brasil não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), por entender que ela não está amparada pelas regras multilaterais do comércio internacional. O texto também sustenta que o governo brasileiro apresentou, durante as negociações, informações para contestar as alegações norte-americanas sobre supostas práticas comerciais desleais.Na nota, o governo reafirma o compromisso de reduzir os impactos econômicos da medida, preservar a renda dos trabalhadores, ampliar a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros e iniciar os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.A legislação permite ao Brasil responder proporcionalmente a barreiras comerciais impostas por outros países. Entre os instrumentos previstos estão a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos importados, a revisão de benefícios comerciais e outras medidas voltadas à defesa dos interesses econômicos nacionais.
Programa do governo Lula terá foco nos setores mais afetadosEmbora ainda não tenha apresentado todos os detalhes do pacote, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o programa terá diferentes frentes de atuação. A prioridade será atender empresas exportadoras diretamente atingidas pelo aumento das tarifas e ampliar a diversificação dos mercados compradores dos produtos brasileiros.Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, aproximadamente 2,4 mil empresas poderão ser impactadas pelas novas taxas. Entre os segmentos que receberão atenção prioritária estão os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar.A estratégia também prevê o fortalecimento do Programa Brasil Soberano, iniciativa voltada ao apoio das empresas exportadoras diante das mudanças no cenário internacional.O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo já dispõe de mecanismos para proteger empresas e empregos e que o novo pacote será construído em diálogo com os setores produtivos.Segundo ele, as linhas de crédito já existentes deverão ser reforçadas após reuniões com representantes das atividades mais afetadas. O ministro destacou ainda que qualquer ampliação do programa respeitará os compromissos fiscais assumidos pelo governo federal.Em março, o governo já havia anunciado a destinação de R$ 15 bilhões para operações administradas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinadas ao financiamento de empresas exportadoras. De acordo com Durigan, esses instrumentos deverão ser ajustados conforme as necessidades apresentadas pelos setores atingidos.
Governo mantém negociação com os EUAApesar da elevação da tensão comercial entre os dois países, integrantes da equipe econômica afirmam que o Brasil continuará buscando uma solução negociada para o impasse.As novas tarifas entram em vigor no próximo dia 22, mas o governo brasileiro mantém contatos diplomáticos com Washington. Segundo Márcio Elias Rosa, o Brasil continuará defendendo o multilateralismo e buscará preservar os canais de diálogo.Paralelamente, a estratégia de ampliar mercados consumidores para os produtos brasileiros continuará sendo desenvolvida. Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento mostram que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,4% para 9,4% desde o primeiro pacote tarifário anunciado pelo governo Trump, movimento atribuído ao avanço das vendas para outros destinos internacionais.
Tensão diplomáticaO anúncio das tarifas também provocou um novo capítulo de atritos entre autoridades brasileiras e norte-americanas.O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não negociou de boa-fé com Washington e responsabilizou a política econômica brasileira pelo fracasso das negociações.A resposta veio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que classificou as declarações como “grosseiras”, “arrogantes”, “ofensivas” e “inaceitáveis”. Segundo o chanceler, desde o início das tratativas o governo brasileiro demonstrou disposição para negociar todos os temas apresentados pelos Estados Unidos.Vieira também afirmou que o Brasil rejeitou propostas consideradas desproporcionais, entre elas demandas por abertura ampla de setores da economia brasileira sem contrapartidas para os produtos nacionais.Além da disputa diplomática, o comunicado divulgado pelo governo brasileiro atribuiu parte do cenário à atuação de integrantes da família Bolsonaro, mencionando a existência de uma articulação política favorável às medidas anunciadas pelos Estados Unidos. A nota afirma que a defesa da soberania nacional deve estar acima de disputas partidárias.
O Pix é do BrasilDois dos principais argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar a investigação comercial também receberam respostas de integrantes do governo brasileiro.O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, contestou a afirmação de que o Pix teria prejudicado empresas do setor de cartões de crédito. Segundo ele, desde a criação do sistema de pagamentos instantâneos houve crescimento de aproximadamente 150% na utilização dos cartões, indicando que ambos os meios convivem no mercado.Galípolo comparou a crítica ao Pix à ideia de responsabilizar o saneamento básico pela redução da demanda por caminhões-pipa, defendendo que a ferramenta representa uma inovação de interesse público, mantida de forma gratuita para a população.Na área ambiental, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que as alegações norte-americanas sobre aumento do desmatamento são improcedentes. Segundo ele, durante as negociações o Brasil apresentou dados demonstrando a redução dos índices de desmatamento e explicou que toda a madeira exportada pelo país passa por processos de certificação e fiscalização.O vice-presidente Geraldo Alckmin também reforçou que a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação automática, mas como um instrumento previsto na legislação para proteger os interesses nacionais diante de barreiras comerciais consideradas injustificadas.Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal também se manifestou após autoridades norte-americanas associarem o tarifaço a decisões da Justiça brasileira. Em nota, o presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, afirmou que o STF atua exclusivamente com base na Constituição e ressaltou que a independência do Poder Judiciário é princípio fundamental das relações entre Estados soberanos.Com a entrada em vigor das tarifas prevista para os próximos dias, o governo brasileiro concentra esforços em duas frentes: manter as negociações diplomáticas abertas e implementar medidas capazes de reduzir os impactos sobre empresas, trabalhadores e setores exportadores afetados pelo novo cenário comercial.
Fonte: TVT News / Imagem: Palácio do Planalto