A proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 conta com amplo apoio da população brasileira, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18). O levantamento aponta que 68% dos brasileiros são favoráveis ao modelo que reduz a semana de trabalho para cinco dias, com dois dias de descanso, sem diminuição salarial. Outros 22% se declararam contrários à mudança, enquanto 10% não souberam responder ou disseram não ter posição definida. A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.O tema ganhou centralidade no debate político e trabalhista nos últimos meses e passou a ser tratado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das prioridades no Congresso Nacional. Atualmente, uma comissão especial da Câmara dos Deputados discute propostas de emenda à Constituição (PECs) e um projeto de lei que alteram a duração máxima da jornada semanal no país.O apoio registrado pela Quaest permanece elevado, embora tenha oscilado levemente em relação a dezembro de 2025, quando 72% dos entrevistados defendiam o fim da escala 6×1. Ainda assim, os números confirmam tendência semelhante à detectada por outros levantamentos recentes, como pesquisa Datafolha realizada em março, que apontou 71% de apoio à redução da jornada.O modelo em debate prevê a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo a remuneração atual dos trabalhadores e substituindo a escala 6×1 pela 5×2. O relatório do deputado Leo Prates deve consolidar mudanças em três pontos do artigo 7º da Constituição Federal.Entre as alterações propostas está a redefinição do limite máximo da jornada semanal, a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana — um deles preferencialmente aos domingos — e a proibição de redução salarial como consequência da mudança. A proposta também prevê punições para empresas que descumprirem as novas regras durante eventual período de transição.As discussões ocorrem a partir da tramitação de duas PECs: uma apresentada pela deputada Erika Hilton, em articulação com o movimento VAT (Vida Além do Trabalho), e outra do deputado Reginaldo Lopes. Os textos foram apensados e servem de base para as negociações conduzidas entre governo, Câmara e centrais sindicais.