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6 de outubro 2026

Escala 6×1: governo pressiona por votação no Senado, enquanto oposição tenta adiar

Escala 6×1: governo pressiona por votação no Senado, enquanto oposição tenta adiar A disputa sobre o fim da escala 6×1 entra no Senado em meio a uma queda de braço entre o governo federal e a oposição. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém a proposta na pauta, enquanto setores da oposição tentam adiar a tramitação após o resultado das eleições de domingo (4), que ampliou a presença da direita no Senado. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em setembro e agora precisa cumprir cinco sessões de discussão antes de ser submetida à votação em primeiro turno.
Governo quer votação ainda nesta semanaO governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta manter o calendário da PEC da 6×1 apesar do novo cenário político no Senado. A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras do governo.O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o Executivo continua trabalhando para aprovar a proposta nesta semana. Segundo ele, na avaliação do governo, o resultado das eleições não alterou as condições para a votação.A primeira sessão de discussão está prevista para esta terça-feira (6), seguida de outras duas sessões na quarta e na quinta-feira (8). O governo pretende acelerar a tramitação para tentar levar a PEC à votação ainda nesta semana.Para avançar, entretanto, será necessário garantir o quórum e os votos exigidos constitucionalmente. Uma PEC precisa receber 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado, que possui 81 integrantes.
Oposição tenta adiar análise da PECA oposição passou a utilizar o resultado das eleições como argumento para postergar a votação do fim da escala 6×1. Lideranças articulam a ausência de senadores nas sessões como forma de dificultar a formação do quórum necessário para o avanço da proposta.O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), reeleito no domingo, afirmou que o governo terá dificuldades para reunir os senadores e relacionou o novo cenário político à resistência contra a aprovação da PEC.Além da oposição, entidades empresariais também pressionam os parlamentares contra uma votação rápida. O argumento apresentado pelos oposicionistas é que a composição futura do Senado sofreu mudanças significativas após as eleições e que, diante disso, não haveria razão para acelerar a análise da proposta neste momento.A disputa em torno da escala 6×1 também ocorre paralelamente à sucessão da Presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027. Alcolumbre precisa administrar as pressões relacionadas à PEC enquanto observa a disputa pelo comando da Casa.
PL terá maior bancada no SenadoO resultado eleitoral ampliou a força do PL no Senado. O partido elegeu 19 senadores no primeiro turno e deverá chegar à próxima legislatura, em 2027, com 28 integrantes, formando a maior bancada da Casa.O crescimento da legenda também influencia a disputa pela Presidência do Senado. O PL já tem um nome declarado para o cargo: o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e crítico da proposta que prevê o fim da escala 6×1.Nesse cenário, a votação da PEC passou a integrar uma disputa política mais ampla sobre a composição e os rumos do Senado a partir da próxima legislatura.Para o governo, entretanto, o resultado eleitoral não deve interromper a discussão da redução da jornada. A estratégia é tentar concluir a tramitação ainda durante a atual composição da Casa, antes que os novos senadores assumam seus mandatos.
Maioria dos brasileiros apoia o fim da escala 6×1Apesar da resistência encontrada no Senado, a proposta conta com apoio majoritário entre os brasileiros. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho apontou que 69% dos entrevistados são favoráveis ao fim da escala 6×1, enquanto 22% se posicionaram contra.
Fonte: TVT News / Imagem: Ricardo Suckert