As enchentes de 2024 transformaram a prevenção de desastres em uma questão central para o Rio Grande do Sul. Nos programas de governo apresentados para a eleição ao Piratini, o tema aparece associado não apenas à Defesa Civil, mas também a infraestrutura, planejamento territorial, orçamento, saúde, ciência e gestão dos recursos hídricos.Os programas de Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Gabriel Souza (MDB), Marcelo Maranata (PSDB), Rejane de Oliveira (PSTU) e Priscila Voigt (UP) apresentam propostas para recuperar estruturas de proteção, ampliar sistemas de alerta e monitoramento e preparar o Estado para eventos extremos.As respostas, porém, partem de diagnósticos diferentes. Enquanto alguns candidatos concentram suas propostas na recuperação e manutenção da infraestrutura existente, outros ampliam a agenda para soluções baseadas na natureza, participação comunitária, pesquisa científica, saúde, regularização fundiária e mudanças na legislação ambiental.Entre as medidas estão a recuperação de diques, comportas e casas de bombas, construção de reservatórios, criação de parques inundáveis, sistemas de drenagem sustentável, mudanças no planejamento territorial e estruturas específicas para a resiliência da Região Metropolitana.Os programas também incorporam problemas expostos pela enchente de 2024: a capacidade de alertar a população, a continuidade de serviços essenciais, a preparação financeira do Estado para calamidades, a estrutura da Defesa Civil, a ocupação de áreas de risco e a capacidade de produzir e utilizar conhecimento científico para antecipar eventos extremos. A comparação dos planos permite notar um esforço para que a prevenção, ao menos no papel, seja tratada como uma política permanente de Estado, e não apenas como resposta à próxima emergência.Juliana Brizola propõe combinar a recuperação da infraestrutura de proteção com medidas de drenagem sustentável e infraestrutura verde. Entre as soluções estão parques lineares, bacias de retenção, jardins de chuva e pisos permeáveis.A candidata também propõe a REURB Gaúcha, um cadastro georreferenciado de ocupações, loteamentos irregulares e áreas de risco para orientar a regularização fundiária e a prevenção de desastres. O programa prevê prioridade para mulheres chefes de família. Para moradores de áreas sujeitas a inundações e deslizamentos, defende reassentamento seguro, com moradia e infraestrutura.Zucco apresenta a proteção das bacias contra cheias como um projeto estratégico. O programa prevê um inventário das estruturas existentes e manutenção preventiva e corretiva de diques, casas de bombas, canais, comportas e reservatórios. Também estabelece como diretriz não reconstruir moradias em áreas de risco e propõe parques inundáveis e uma autoridade técnica de resiliência metropolitana.Gabriel Souza propõe obras estruturantes de proteção contra cheias, financiadas pelo Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE), além da construção de barragens, reservatórios e sistemas integrados de irrigação.Maranata também defende a recuperação da infraestrutura existente e a criação de uma autoridade técnica de resiliência metropolitana, com participação e controle social.Rejane de Oliveira propõe um plano de obras públicas estaduais voltado à drenagem urbana e à prevenção de enchentes, com participação das comunidades afetadas. Priscila Voigt defende a reconstrução dos sistemas de proteção com participação de universidades e técnicos populares, sem contratação de empreiteiras. O candidato do PCO, César Pontes, é o único que não apresenta propostas específicas para os eventos climáticos, as cheias e a estiagem.