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23 de outubro 2026

DIEESE: “tesouraço” de Flávio Bolsonaro pode eliminar 2,2 milhões de empregos em um ano

DIEESE: “tesouraço” de Flávio Bolsonaro pode eliminar 2,2 milhões de empregos em um ano Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), divulgado nesta quinta-feira (22), estima que o plano de ajuste fiscal anunciado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pode eliminar cerca de 2,2 milhões de postos de trabalho no primeiro ano de implementação. A simulação também projeta uma queda de 1,55% no Produto Interno Bruto (PIB) e uma redução de R$ 68,7 bilhões na massa salarial. O levantamento analisa a proposta de cortes de aproximadamente R$ 200 bilhões nas despesas públicas em 18 meses, apelidada de “tesouraço”. Como a equipe econômica de Flávio ainda não apresentou os detalhes do plano, o DIEESE construiu cenários com base nas informações divulgadas até o momento e em dados oficiais. A entidade ressalta que os resultados são estimativas e podem mudar conforme as medidas concretas sejam conhecidas.De acordo com a simulação, a redução das despesas públicas poderia atingir R$ 116,9 bilhões no primeiro ano e R$ 175,4 bilhões em 18 meses. Somado ao superávit primário de R$ 18,6 bilhões previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, o ajuste chegaria a R$ 194 bilhões, equivalente a cerca de 1,5% do PIB.
Cortes podem atingir benefícios sociais e serviços públicosA análise considera que o ajuste atingiria principalmente as maiores despesas do governo federal. Na simulação, 51% dos cortes recairiam sobre transferências de renda, como benefícios previdenciários, abono salarial, seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Outros 17% atingiriam despesas com pessoal, enquanto 32% seriam distribuídos entre as demais despesas.Segundo o DIEESE, cortes dessa magnitude dificilmente seriam realizados sem afetar políticas sociais e serviços públicos. A entidade aponta que a implementação do plano poderia exigir mudanças em regras constitucionais que garantem o piso previdenciário vinculado ao salário mínimo e os recursos mínimos destinados à saúde e à educação.O estudo também destaca que, embora Flávio tenha afirmado que pretende preservar benefícios sociais e evitar mudanças nessas garantias, a proposta de realizar o ajuste por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) levanta dúvidas sobre como o objetivo seria alcançado.Entre as medidas mencionadas pela equipe do candidato estão a redução da estrutura administrativa, a retomada da reforma administrativa, a venda de patrimônio público e mudanças na gestão do funcionalismo, incluindo o uso de inteligência artificial. Para o DIEESE, essas iniciativas, isoladamente, não seriam suficientes para alcançar o volume de cortes anunciado sem afetar despesas de maior peso no orçamento.O documento também prevê riscos para os servidores públicos. Na hipótese de congelamento real das despesas, os salários não teriam ganhos acima da inflação e novas contratações seriam limitadas. Os investimentos públicos também poderiam ser reduzidos.
Estudo prevê risco de recessão e aumento do desempregoO DIEESE simulou dois cenários para 2027. No mais otimista, que considera crescimento econômico de 2,46%, conforme a previsão do PLOA, o impacto dos cortes reduziria a expansão do PIB para 0,91%. Nesse caso, a criação de empregos seria insuficiente para absorver o crescimento da população economicamente ativa.No cenário pessimista, baseado na projeção de crescimento de 1,4% do Boletim Focus, do Banco Central, o efeito do ajuste levaria a uma retração de 0,15% da economia em 2027. Nessa hipótese, o saldo seria negativo em aproximadamente 271 mil postos de trabalho, e o número de desempregados poderia subir de 5,8 milhões para 7,4 milhões.A projeção também indica uma redução de R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária no primeiro ano. Com a desaceleração econômica, a queda no consumo e na renda diminuiria as receitas do governo, consumindo parte da economia obtida com os cortes.Para o departamento, esse efeito pode comprometer o próprio objetivo fiscal anunciado. A simulação aponta que, mesmo após o ajuste, o resultado primário ficaria em torno de R$ 88,7 bilhões, ou 0,7% do PIB, abaixo do necessário para estabilizar a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia nas condições consideradas.
DIEESE questiona foco do ajuste fiscalO estudo argumenta que o aumento da dívida pública brasileira está relacionado, sobretudo, ao peso dos juros, e não apenas às despesas primárias, que incluem gastos com pessoal, benefícios e políticas públicas. Por isso, concentrar o ajuste em despesas sociais poderia provocar perdas de emprego e renda sem garantir a estabilização da dívida.O departamento também aponta que gastos com previdência, saúde e educação têm forte efeito sobre a atividade econômica, pois os recursos chegam a uma parcela ampla da população e estimulam o consumo. Em contrapartida, despesas com juros da dívida e determinados incentivos fiscais apresentam, segundo os estudos citados pelo DIEESE, efeito multiplicador menor sobre a produção.A entidade alerta que a combinação entre cortes de gastos, queda da atividade econômica e redução da arrecadação pode criar um ciclo de novos ajustes e desaceleração. Nesse cenário, o custo das medidas seria transferido para trabalhadores e usuários dos serviços públicos, enquanto as contas do governo poderiam continuar sem alcançar o resultado pretendido.O DIEESE ressalta que a falta de detalhes sobre o plano de Flávio Bolsonaro limita a precisão das estimativas. A simulação busca dimensionar os possíveis efeitos econômicos e sociais da proposta a partir das informações disponíveis e contribuir para o debate público sobre as consequências do ajuste fiscal.
Fonte: TVT News / Imagem: EBC

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