Com três eleições ao Senado na bagagem, Paulo Paim afirma que a receita para Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta herdarem seu legado é não ficarem restritos ao eleitorado de esquerda. “Eu trabalharia muito em cima do segundo voto. Quem achar que é só o voto do seu time, que vai ficar naquele seu círculo, terá problemas. Quem olhar de forma mais ampla terá mais condições de se eleger”.
Nesse sentido, ele defende que os candidatos não entrem também na lógica do conflito entre lulismo x bolsonarismo. “Quem sectarizar não chega. Todos dependem do segundo voto. Eu sempre fui alguém de diálogo, de conversa. Eu não entro na política de nós e eles, ódio para lá e ódio para cá. Se eu fosse candidato, não entraria nisso de ficar um atirando no outro. Se quer o segundo voto, tem que ter uma visão ampla”.
Com três nomes de cada unidade da federação, o Senado é considerado uma representação dos estados no Congresso. Para Paim, é necessário trabalhar dentro dessa lógica. O senador ressalta que, na enchente de maio de 2024, trabalhou muito em conjunto com os senadores bolsonaristas Hamilton Mourão e Luis Carlos Heinze. “Ouvi críticas, mas o Rio Grande estava em primeiro lugar. Assumi minha posição com muita tranquilidade, dialoguei com todos. E assim sempre nós agimos, com Simon, com Zambiasi”, conta.
Apesar de reforçar o diálogo, o petista lembra que foram suas causas que o levaram para o Senado. “Eu tive quatro eleições para deputado federal. Eu só fui para o Senado porque tinha um passado na Câmara que valia mais o que estava negociado [entre patrão e trabalhador] do que o legislado. Eu perdi na Câmara e disse ‘vou para o Senado vou derrubar lá’. Eu fui com causa, com meta. Fui para aprovar o Estatuto do Idoso, que já tinha aprovado na Câmara, da Igualdade Racial, política de salário mínimo. Em primeiro lugar é isso, não adianta você achar que vai se eleger porque tem mais dinheiro, ou mais apoio. Quem não conseguir mostrar porque está indo para lá, e quem foi no passado, as chances serão mínimas”.
Segundo voto anima MDB
O deputado estadual e presidente do MDB no RS, Vilmar Zanchin, ressalta que a força da sigla no interior pode fazer com que Germano Rigotto seja a primeira opção de muitos eleitores. “O MDB é um partido forte. Estamos estruturados em 470 municípios. Então a gente confia muito, pelo perfil dele, pela longa trajetória, por ser um cara conhecido, embora não esteja exercendo mandatos há algum tempo, mas que foi governador”, diz.
Ainda assim, ele reconhece o quanto a disputa nacional influencia o pleito e aposta no segundo voto como possibilidade para eleição do ex-governador. “A gente não desconhece essa polarização. No entanto, para o Senado são dois votos e o Rigotto tem a possibilidade de ser o segundo voto dos candidatos que estão no espectro político mais à esquerda e à direita”.
Nesse sentido, Zanchin diz que a eleição ao Governo do Estado de 2002 pode servir de inspiração. O pleito foi marcado pelos embates entre Antônio Britto (então no PPS) e Tarso Genro (PT), e pela eleição inesperada de Rigotto, com um coração como símbolo e um discurso apaziguador. “Ele vem com um discurso mais moderno, evidente, mas o cenário é muito semelhante”, diz.
Para o dirigente do MDB, Rigotto também deverá se apresentar como um defensor dos interesses do Estado, acima das disputas políticas. “Pelo perfil dele, de diálogo, de não se identificar com os dois polos que estão predominando, acho que ele tem chance de penetrar bem na sociedade. É um candidato que vai exercer o mandato de senador com a plenitude, que é defender os interesses do Estado. A pauta dele não vai ser combater o outro lado do espectro político”.
Bolsonarismo aposta em dobradinha
Presidente estadual do PL e deputado federal, Giovani Cherini manifesta confiança de que chapa bolsonarista poderá eleger dois candidatos. “Nós vamos apostar todas as fichas no voto casado, no voto nos dois. Não tem primeiro voto e segundo voto. Queremos um voto único, para os dois”. Nesse sentido, não vê como ameaça a candidatura de Germano Rigotto, que pode levar o segundo voto de eleitores bolsonaristas. “Ele já teve candidaturas. Ameaçou e morreu na praia. Eu acho que passou o tempo dele. A gente respeita, mas a gente acha que o eleitor gaúcho vai querer renovar o Senado”.
Tendo em vista que Heinze surpreendeu em 2018 e Mourão fez o mesmo em 2022, Cherini projeta que esse voto de última hora em candidaturas bolsonaristas pode ser ainda maior em 2026. “Eu acho que vai ser mais forte ainda do que foi nas últimas eleições. O gaúcho é muito justiceiro, não aceita injustiça. Isso que está acontecendo com o Bolsonaro, eu acredito que vai se reverter em apoio para nós”, diz.
Por outro lado, Cherini pondera que a prisão de Jair Bolsonaro também pode trazer prejuízos às candidaturas. Ele conta que o ex-presidente costumava gravar vídeos na reta final pedindo votos aos candidatos. “O segredo sempre foi o reforço que o Bolsonaro dava gravando vídeos, a gente espera que possa ter alguma manifestação do Bolsonaro. Deixar o Bolsonaro preso é uma estratégia para tentar calar a direita”, acusa.
Cherini acredita ainda que o número de Sanderson, semelhante ao de Flavio Bolsonaro e de Luciano Zucco, poderá favorecer o candidato do PL, bem como o tempo de televisão. “O tempo de televisão do nosso candidato é grande, e ele vai poder mostrar que é um cara da Polícia Federal, da segurança pública”.
Fonte: Sul 21 / Imagem: Divulgação