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13 de janeiro 2021

Entidades estudantis reagem com indignação à decisão da Justiça de manter o Enem

Entidades estudantis reagem com indignação à decisão da Justiça de manter o Enem Entidades estudantis reagiram com indignação à decisão da Justiça Federal de São Paulo de manter o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) marcado para os dias 17 e 24 de janeiro.A ordem, proferida nesta terça-feira (12), contraria pedidos das próprias entidades e da Defensoria Pública da União, que entrou com uma ação na semana passada para que as provas fossem remarcadas.O principal argumento da juíza Marisa Cláudia Gonçalves Cucio, que assina a decisão, é de que a postergação das provas traria consequências financeiras à União e provocaria prejuízos à formação acadêmica dos alunos.A presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Rozana Barroso, concorda que os alunos estão prejudicados, mas explica que os problemas vão muito além da data do exame e não serão resolvidos com o apressamento das provas.
“Nós concordamos que tudo isso tem causado problema na vida dos estudantes, mas esse problema é fruto da falta de diálogo e da irresponsabilidade. Por isso, defendemos o adiamento para que o Enem possa ser realizado com segurança”, diz.Para ela, a manutenção do Enem para o fim do mês é uma tentativa de impedir que os estudantes façam as provas. “Nós enxergamos isso como mais uma medida para impedir os estudantes brasileiros de realizarem o Enem. Estamos falando de mais de oito meses sem acesso à educação e também de uma segunda onda da pandemia, com escolas desestruturadas e com protocolo de segurança nada claro”, explica.“Na nossa opinião, quem quer que os estudantes brasileiros, em maioria negros e periféricos, não realizem o Exame Nacional do Ensino Médio é o próprio Ministério da Educação, que não nos dá condições para isso”, queixa-se.Élida Elena, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), reforça que os procedimentos de segurança para a aplicação do exame não foram expostos pelo Ministério da Educação. Para ela, a falta de transparência coloca em risco toda a sociedade.“Os estudantes estão assustados com o resguardar de sua saúde, porque é uma questão de transmitir o vírus, de contaminar e transmitir para o conjunto da sociedade, os familiares”, afirma.De acordo com Élida, a realização do Enem nas condições atuais aprofunda ainda mais a desigualdade educacional brasileira. “Falando da realidade das condições de preparação para a prova, isso deixa marcas mais profundas para os estudantes pobres, porque exige acesso à internet, a tecnologia, que muitos jovens não têm”.A vice-presidente da UNE diz que a data das provas teria que ser definida, além da situação da pandemia, a partir de conversas com os estudantes, o que, segundo ela, não existiu. “O que tem que balizar a data da prova é um diálogo entre as entidades estudantis, que estão ali vencendo o cotidiano, diálogo com profissionais da saúde, para dar um diagnóstico sobre o período e condições adequados”.
Fonte: Brasil de Fato